O que é uma tabela de frete e por que sua loja precisa de uma
Uma tabela de frete é um documento ou sistema que define o custo da entrega de acordo com peso do produto, região de destino e modalidade de transporte escolhida pelo cliente — e sem ela, você está precificando por achismo e perdendo margem todo dia. Ela funciona como o mapa que conecta seu estoque à porta do cliente, transformando estimativas vagas em números que você consegue controlar e lucrar sobre.
Sem uma tabela clara e bem calculada, você termina o mês com número de pedidos bonito, mas lucratividade vermelha, porque cobrou frete insuficiente ou regalou frete grátis sem saber o real impacto. A tabela coloca ordem nisso: você sabe exatamente quanto cada entrega custa, consegue separar fretes lucrativos de fretes que destroem sua margem e toma decisão sobre promoções de frete com segurança.
Como montar a tabela de frete passo a passo (peso, região e modalidade)
Comece levantando três informações que as transportadoras vão exigir de você: o peso de cada produto em quilogramas (pode ser peso real ou volumétrico — use o maior dos dois), o CEP de origem e os CEPs ou regiões onde você faz entregas. Depois, escolha entre duas ou três modalidades principais: PAC (5 a 7 dias úteis, mais barato), SEDEX (2 a 3 dias, mais caro) e talvez uma terceira como SEDEX 10 ou transportadora própria se você tiver volume alto. A partir daí, peça uma cotação às transportadoras que você pretende usar — Correios, Jadlog, Loggi e outras oferecem tabelas de frete já calculadas.
Com essas cotações em mãos, organize uma planilha com colunas: peso inicial (ex.: 0,5 kg), peso final (ex.: 2 kg), região ou estado destino, PAC (R$), SEDEX (R$) e margem após frete (deixamos essa vazia por enquanto). Preencha cada linha com a faixa de peso e região correspondente, junto com o valor que você será cobrado pela transportadora. Depois disso, processe essa tabela bruta no seu sistema de e-commerce ou na sua loja virtual — plataformas como Shopify, WooCommerce e Loja Integrada permitem inserir essas faixas de peso e região para calcular o frete automaticamente na finalização da compra.
Faixas de CEP: como dividir o Brasil em zonas de entrega sem complicar
Dividir o Brasil em faixas de CEP é necessário porque o frete de São Paulo para Rio de Janeiro é muito diferente do frete para Manaus — e cobrar o mesmo valor nacionalmente é a receita para quebrar sua loja em um lado ou ficar inviável em outro. O jeito mais simples é usar as oito regiões de frete que a maioria das transportadoras já disponibiliza: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Sul (RS, SC, PR), Centro-Oeste (MT, MS, GO, DF), Nordeste (todo), Norte (todo) e interior de São Paulo. Isso reduz a complexidade e ainda funciona bem.
Se você quer ser mais granular, divida apenas por estado — 27 linhas em vez de 8 — que ainda é administrável. Evite tentar dividir por CEP específico porque fica operacionalmente pesado: você teria milhões de combinações e nenhuma plataforma de e-commerce oferece isso nativamente sem plugins caros. A maioria das transportadoras fornece uma tabela que já agrupa os CEPs para você, então use isso. Se você vender bastante para regiões específicas, considere usar uma transportadora regional que oferece melhor cobertura naquela zona — é comum ter uma tabela PAC/SEDEX nacional dos Correios e uma segunda tabela mais barata de uma transportadora local para o Nordeste, por exemplo.
Frete fixo, frete grátis ou frete por faixa: qual modelo cabe no seu produto
Frete fixo é quando você cobra o mesmo valor de frete para todos os clientes, independentemente de peso ou região — mais simples administrativamente, mas arriscado porque pode resultar em frete deficitário para distâncias longas ou produtos pesados. Frete por faixa é quando você segmenta o valor conforme peso e/ou região — o padrão do mercado, mais justo e o que permite você lucrar consistentemente. Frete grátis é aquele que você absorve e precifica no produto final — funciona bem para aumentar conversão, mas pode destruir margem se não for calculado com cuidado.
Use frete por faixa se você vende produtos de peso variável (0,5 kg até 10 kg) ou para todo o Brasil — é a opção mais alinhada com a realidade. Use frete fixo apenas se seu produto tem peso constante (ex.: sempre 2 kg) e você vende predominantemente para uma única região — aí o risco é menor. Para testar se frete grátis cabe na sua margem, calcule quanto você gastaria em frete para 100 pedidos médios em seu ticket, divida por esses 100 pedidos e adicione isso ao preço de venda — se sua margem suporta, ótimo; se não, o frete grátis só vai criar a ilusão de venda, não lucro.
Como o frete subsidiado corrói sua margem sem você perceber
Frete subsidiado é quando você absorve parte ou todo o custo da entrega, "regalando" uma fração do frete ao cliente na esperança de converter melhor. A pegadinha é que você não percebe essa sangria em tempo real — o pedido entra, a margem fica vermelha, mas você só vê isso no final do mês quando fecha o balanço. Exemplo: se você vende um produto a R$ 100, tem custo de R$ 50 (produto + impostos + taxa de gateway), sua margem teórica é R$ 50. Mas se o frete real sai por R$ 15 e você cobrou só R$ 5 do cliente (subsidiou R$ 10), sua margem cai para R$ 40 — são 20% do seu lucro evaporando em fretes.
Se quiser testar frete grátis numa campanha de marketing, calcule antes quanto vai custar e reserve essa verba no orçamento de marketing, não na margem do produto. Muitos lojistas descobrem tarde que estavam "regalando" R$ 3.000 em fretes por mês sem ter previsto isso em nenhuma categoria do fluxo de caixa.
Planilha de tabela de frete: modelo pronto para copiar e adaptar
Uma planilha eficaz para tabela de frete precisa ter estas colunas: Peso Mín (kg), Peso Máx (kg), São Paulo (R$), Rio de Janeiro (R$), Minas Gerais (R$), Nordeste (R$), Sul (R$), Centro-Oeste (R$), Norte (R$). Use Google Sheets ou Excel, adicione uma nova aba para cada modalidade (PAC, SEDEX) e preencha com os valores que a transportadora forneceu. A partir daí, copie essa tabela para seu sistema de e-commerce — a maioria das plataformas tem um espaço para carregar essas informações e ativar o cálculo automático de frete na finalização da compra.
Nos marketplaces como Mercado Livre, Shopee ou Amazon, você carrega a tabela diretamente no painel de vendedor e o sistema calcula automaticamente. Se você tem loja própria em WooCommerce, Shopify ou Loja Integrada, busque a documentação de como configurar "tabela de frete por peso e CEP" — todas oferecem essa funcionalidade, muitas grátis no plano básico. Comece com regiões (8 principais) antes de tentar algo mais complexo; a maioria dos lojistas não precisa de granularidade além disso.
Frete grátis: quando ele aumenta a conversão e quando quebra sua loja
Frete grátis aumenta conversão quando o cliente já está pronto para comprar, mas desiste no último passo ao ver o valor do frete. Quebra sua loja quando você oferece frete grátis indiscriminadamente, em todos os pedidos, sem ter margem para isso.
Para testar se faz sentido no seu caso, calcule quanto você gasta mensalmente em fretes hoje, divida pelo número de pedidos, e veja se essa "taxa de frete média" cabe na sua margem sem prejudicar o lucro. Se o seu frete médio é R$ 12 e sua margem média é R$ 50, absorver R$ 12 (24% de redução de margem) pode ser aceitável se aumentar conversão em mais de 3 a 5%. Se o seu frete médio é R$ 25 e a margem é R$ 50, você está falando em reduzir 50% da margem — só vale se conversão subir muito. Uma tática mais segura: teste oferecer frete grátis apenas acima de R$ 150 de compra em vez de para todos os pedidos. Isso reduz o subsídio de encomendas pequenas e força um ticket médio maior, em vez de absorver o custo de entregas deficitárias.
Erros mais comuns ao precificar frete no e-commerce brasileiro
Erro 1: cobrar frete nominal sem considerar o peso volumétrico. Transportadoras cobram pelo maior valor entre peso real e peso volumétrico (comprimento × largura × altura ÷ 6.000). Se você manda uma caixa grande e leve (ex.: travesseiro, 0,5 kg, mas 40 × 40 × 10 cm), o transportador cobra como se pesasse 2,7 kg. Se sua tabela usa só peso real, você cobra deficitário e perde grana. Sempre use peso volumétrico quando for maior que o real.
Erro 2: não atualizar a tabela de frete quando a transportadora mexe nos valores. Transportadoras reajustam suas tabelas anualmente, às vezes semestralmente. Se você carregou uma tabela em janeiro e está em junho usando a mesma, provavelmente está precificando deficitário. Configure um lembrete para revisar com a transportadora a cada 6 meses.
Erro 3: ignorar o impacto de frete subsidiado na margem. Muitos lojistas oferecem frete mais barato que o custo real "porque a concorrência faz" ou "para converter melhor", mas não calculam quanto isso custa. Se você subsidia R$ 5 por pedido e vende 500 pedidos por mês, são R$ 2.500 evaporando mensalmente — é como regalar 5% da receita todo mês sem saber por quê. Precifique de forma realista e use frete grátis ou desconto como ferramenta de marketing sazonal, nunca como padrão.
Erro 4: usar a mesma tabela para PAC e SEDEX sem ajustar margens. SEDEX custa 2 a 3 vezes mais que PAC em geral. Se sua tabela oferece ambas com a mesma margem embutida, SEDEX pode ficar muito caro (cliente não escolhe) ou PAC muito barato (você perde). Construa tabelas separadas para cada modalidade ou, se for uma tabela única, deixe o cliente escolher e a plataforma somar o diferencial corretamente.